2 de ago de 2008

SPOILER - DC Special: Cyborg #03 - Review

Rage Against the Machine
Parte 3


Roteiro:
Mark Sable
Arte:
Carlos Magno
Arte Final:
Jonathan Glapion
Cores:
JD Smith

Sinopse:

Seguindo os eventos vistos na edição anterior, é revelado que durante a última semana Vic esteve rastreando alguém possuidor de uma descrição compatível com a sua própria e que estava destruindo instalações dos Laboratórios S.T.A.R. conectadas ao assim chamado Projeto M. Esse alguém revela-se como Ron Evers, melhor amigo de infância de Vic, dado como morto até então, agora também transformado em um Ciborgue.

No corrente momento, os Novos Titãs (Robin, Moça-Maravilha, Kid Demônio, Miss Marte, Devastadora, Supergirl e Besouro Azul), juntamente com Ravena, Mutano, Estelar e Asa Noturna, encontram-se feridos ou incapacitados, de forma que o combate se desenrola apenas entre os dois ciborgues. Durante a luta, Vic destrói a armadura peitoral de Ron, expondo uma estrutura biocibernética semelhante a da criatura Equus (vista pela primeira vez no arco "Superman: For Tomorrow" — ou "Superman: Pelo Amanhã" no Brasil — e mais recentemente em "Countdown #36", ainda não publicada no Brasil).

Conforme a contenda prossegue, Vic consegue sobrepujar Ron e lhe interrogar sobre quem tranformou ele em um ciborgue. Este, por sua vez, lhe diz para perguntar a Sarah e DeShawn. Em seguida, aponta para um terminal de dados localizado em sua própria nuca (numa referência óbvia ao filme Matrix) e diz para Vic ver por si mesmo. A estrutura do punho de Vic se abre para revelar uma espécie de lâmina, que é introduzida no dito terminal (numa clara referência ao filme Robocop), permitindo-lhe ter acesso às memórias de Ron.

Desta forma, Ron revela que o pai de Vic só pode usar próteses para salvar a vida do filho em troca de vender dispositivos do mesmo tipo a contatos militares. Também é revelado que, após Ron ser atingido pela explosão que supostamente o matou, as pessoas que encontraram seu corpo o transformaram em um ciborgue, sem direito a interrogatórios ou julgamentos. Após a cirurgia, Ron foi abordado por um indivíduo intitulado apenas como Sr. Orr (que também foi mencionado pela primeira vez em "Superman: For Tomorrow" e também apareceu mais recentemente em "Countdown #36"), que lhe disse "Eu o possuo agora".

Segundo Orr, de agora em diante Ron faria "Teste Beta" em próteses que seriam futuramente utilizadas por soldados que tivessem perdido seus membros durante o cumprimento do dever. Com esse objetivo, Ron foi enviado para o Oriente Médio juntamente com um regimento de soldados, com os quais eventualmente desenvolveu um laço de companheirismo. Chegando lá, também encontrou a versão pura e verdadeira da religião que ele pensava ter aprendido na cadeia, descobrindo que ela não era sobre violência, mas sim sobre paz e hospitalidade.

Ao salvar seus companheiros de uma emboscada, Ron sentiu-se como um herói. Mas após sua equipe atacar e matar um grupo de terroristas, encontrou entre eles o cadáver de uma garotinha que havia lhe dado flores no dia anterior e passou a sentir-se como um monstro. Após esse evento, ele procura Orr para pedir afastamento. Orr, por sua vez, o atordoa com um controle remoto e remove seu braço biônico dizendo "Quando eu disse que nós possuímos você... Eu quis dizer literalmente".

Compreendendo que os soldados que recebessem próteses seriam constantemente chantageados para continuar seguindo ordens ou ter seus membros artificiais confiscados, Ron decidiu tomar uma atitude e destruir os laboratórios onde tais peças eram produzidas. Ele também explica a Vic que não consegue ver nenhuma diferença alguma entre Sarah Charles (que trabalha no S.T.A.R.) e a garotinha que acompanhava o grupo de terroristas que sua equipe matou.

Enquanto Vic estava conectado ao seu terminal, Ron o "hackeou" para que mirasse uma de suas armas em direção a Sarah, mas Vic conseguiu romper o contato antes que o disparo fosse efetivado. Uma vez separados Ron realiza um ataque com sua própria arma. Vic tenta proteger Sarah, mas descobre tarde demais que o verdadeiro alvo era DeShawn, que cai aparentemente morto.


Opinião:

Enquanto o capítulo #1 da mini-série foi quase totalmente centrado em história e o capítulo #2 foi quase completamente focado em ação, o capítulo #3 consegue equilibrar esses dois elementos de forma bastante satisfatória.

Em entrevistas, Sable havia afirmado que os "vilões" da mini-série Cyborg fugiriam do maniqueísmo tradicional, apresentando motivações complexas e plausíveis, deixando para o leitor a tarefa de decidir se concorda ou não com os pontos de vista deles. Até agora, a promessa tem sido cumprida.

Se na sua aparição inicial em "Tales of New Teen Titans" Ron era apenas um jovem revoltado e cheio de ressentimentos e preconceitos em relação as pessoas brancas, agora ele é um personagem mais complexo e tridimensional, com várias camadas de personalidade e motivações pessoais bastante sólidas para agir da forma que age. Também é digna de nota a forma madura como Sable abordou a temática da religiosidade, mostrando os dois lados de uma mesma moeda.

As referências a Cultura Pop utilizadas pelo autor (incluindo o próprio título "Rage Against the Machine") são interessantes e bem colocadas. Outra característica que eu percebi nessa mini-série é uma narrativa visual muito forte e bem feita, com muitas coisas que só podem ser percebidas prestando-se atenção nas imagens, sem necessidade de expressão através de palavras.

No que diz respeito a arte, infelizmente houve uma mudança de desenhista. Em mini-séries, eu prefiro um único artista do começo ao fim para manter uma maior coesão visual. Além disso, pessoalmente prefiro o estilo do antigo desenhista (Lashley) ao do novo (Magno). Mesmo a colorização me parecia melhor nos capítulos anteriores. Além disso, há algumas incoerências e certas cenas parecem confusas, dificultando uma melhor compreensão (algo que pode ser desvantajoso quando se faz tanto uso de narrativa visual), mas nada muito grave.

Saldo Final: a edição nº3 da mini-série DC Special: Cyborg conseguiu manter a qualidade vista nas anteriores, assim como estabelecer Ron como um personagem com um pano de fundo rico e detalhado. A trama principal continua avançando satisfatoriamente bem, mas só poderei fazer um julgamento apropriado quando ela estiver completa. Espero que o artista adiquira mais familiaridade com os personagens e melhore seu trabalho nos próximos números que seguirão.

PS: uma lástima que essa mini-série esteja sendo publicada em época de Final Crisis. Espero que o TPB (encadernado com coletênea de todos os volumes) consiga vendas melhores do que os capítulos avulsos estão tendo.


4 comentários:

Tarcísio Aquino disse...

Muito bom o review!

Tarcísio Aquino disse...

Concordo, Ed. Eu, com certeza, comprarei o TPB.
Essa mini está muito boa.
Ah, só para constar. Carlos Magno é brasileiro!
Abraço

thiago disse...

Também tô curtindo bastente a série. Acho que o caso de sair junto de FC não é bem o caso de não vender bem, o que acontece que na época de Countdown teve dezenas de mini-séries, que, ou não levavam a lugar nenhum ou não tinham a ver com a revista semanal (como foi no caso da "Busca por Ray Palmer" e "Countdown to Mistery" respectivamente.) era capaz dela sair mais um interligação que não diz nada ("Countdown to Machine?"). Aí que dá pra ver como a equipe de marketing da DC é tão perdida quanto seus editores...teve um espaço enorme entre Titans East e Titans 1 (dessa vez vou evitar falar mal da série) e absolutamente NADA foi colocado entre isso...quem comprou uma não sabia que continuava (East era pra ser um One Shot?) e quem comprou a outra não sabia que esse 1 era na verdade a edição 2 (se fosse o caso, compraria só pela capa das mãos...ou arrumaria um daqueles posters que eles enviam pra Comics Shops da capa)... aí que vem o caso: Nesse tempo todo,de novembro de 07 a abril de 08, 6 meses jogados no lixo...podiam ter utilizado essa mini como um arco em flashback do título principal ou mesmo como mini e ter lançado junto a da Raven, ter feito uma mini série também com o Mutano (que ficou "meses" sumido junto com a Doom Patrol) e uma mini co Red Arrow aproveitando todo o Hype da Liga do Meltzer e da edição solo dele com a Vixen...maaasss não...preferiram dar todos esses meses pra um artista machucado ter tempo de fazer uma edição e entra um Fill in na segunda? E depois atrasar pra reescrever o roteiro? e durante todo esse tempo, poderiam ter divulgado essa mini mas nada...pouca gente ficou sabendo da mini do Cyborg, nem me admira se o Sable não escrever mais nada pra DC depois disso...os caras chamam ele e no fim nem pra divulgar direito o material.

Bem, fora fora esse desabafo...Não sabia que o Carlos Magno era brasiliero...quando vi a arte dele nas poucas edições de Countdown que eu li achei muito porca...parece aqueles desenhistas baratas que se multiplicam misteriosamente na DC, falta de criatividade e personalidade total (junto com outra "estrela" aí, o Mike Norton), mas tenho que admitir que nessa edição a arte dele foi bem legal, pegou bem o clima da luta entre os Cyborgs, apesar de alguns cenas pecarem na narativa (como o braço do Ron que as vezes "some" durante algumas cenas).

Desenhista brasileiro bom que a DC não aproveitou direito foi o Greg Tocchini, o cara manda muito bem na arte interna e nas capas...inclusive ele era um dos candidatos a entrar no lugar do Kubert no Batman do Morrison

Tarcísio Aquino disse...

Eu concordo totalmente com vc, Thiago. Os seis meses poderiam ter sido aproveitado muito bem... (sigh)