24 de set de 2008

Exclusiva com Mark Sable

Entrevistei o escritor Mark Sable para o Multiverso DC sobre a minissérie DC Special: Cyborg e Two-Face: Year One. Confiram!

Multiverso DC: Você é fã dos Titãs?
Mark Sable:
Sim! De ambos os grupos, de fato.

MDC: Então, quais são seus personagens favoritos? E qual fase?
MS: Personagens - Cyborg, obviamente. Também sou grande fã do Tim Drake/Robin. Sua origem é muito diferente da maioria dos personagens dos quadrinhos. Qual outro parceiro-mirim descobriu a identidade de algum herói? E não de um simples herói... Do Batman!!! Ele é aquele jovem que sempre soube o que queria e isso o tornou o herói que ele é hoje.
Também gosto muito do Impulso/Bart Allen. Espero que eles encontrem um modo de trazê-lo de volta.
Bom, eu acho que há grandes momentos em todas as fases ou eras dos Titãs, mas minhas fases favoritas são as de Wolfman/Pérez (The New Teen Titans), e a de Geoff Johns. Wolfman e Pérez... A edição de Tales que conta a origem de Cyborg... Acho que essa é uma das melhores estórias nos quadrinhos. Já a fase do Johns foi a fase que me ajudou a voltar a ler quadrinhos após um grande intervalo. Não havia lido muito desde quando Grant Morrison escreveu a LJA.

MDC: Poderia nos contar como surgiu a idéia para a mini do Cyborg?
MS:
A idéia surgiu quando eu assistia à muitos soldados feridos retornando do Iraque e Afeganistão. Tudo me lembrava o Cyborg, e comecei a imaginar o caso dele compartilhar sua tecnologia com as pessoas que perderam seus membros. Será que usar suas partes cibernéticas para lutar contra o crime seria suficiente ou ele poderia fazer mais? E eu acho que, como um herói, isso poderia confrontá-lo em algum momento em sua vida.

MDC: Foi dito que este arco era para ser parte da revista Teen Titans, originalmente. É verdade?
MS:
Sim. A antiga editora assistente dos Titãs (e agora na Marvel) Jeanine Schaeffer me descobriu quando eu escrevi meu primeiro título próprio - GOUNDED (com o artista Paul Azaceta). Ela e Eddie Berganza me convidaram para fazer um arco em Teen Titans. Eu fiz um que foi ilustrado (por Sean Murphy), mas nunca foi impresso. Quando a DC decidiu fazer minisséries solo dos Titãs como a da Ravena, Eddie me pediu para fazer uma do Cyborg em seis edições. Então, voltei ao arco e acrescentei muito mais detalhes ao trabalho. Não queria que os fãs sentissem que estariam lendo uma série de duas edições extendidas em seis.

MDC: Você teve que estudar o passado de Victor para fazer a minissérie? E qual a importância do passado do personagem na sua estória?
MS:
Eu senti a necessidade de estudá-lo. Não só a fase de Wolfman e Pérez, mas também estórias como Technis Imperative, onde o Cyborg tenta dominar o mundo. Eu li basicamente tudo que pude em relação à vida pessoal dele. O passado é muito importante. Esta estória não é apenas sobre como Vic ajudaria os soldados feridos. Isso é mostrado quando Mr. Orr toma posse da tecnologia sem a permissão do herói - o mercenário Mr. Orr, da fase do Superman por Azzarello e Jim Lee. Ele faz com que os soldados matem pessoas para garantir suas partes cibernéticas, não importando qual seja o alvo. Tudo isso é parte do Projeto M - que já foi citado no passado das estórias dos Titãs. Eu quis fechar aquele arco.
O passado é também muito importante, pois faz da estória algo bem pessoal para o Vic. Neste momento, não é segredo que eu trouxe Ron Evers de volta, que não havia sido visto desde a origem do Victor. Para aqueles que não o conhecem, ele foi o melhor amigo de Vic, que se envolveu com gangues de rua e terroristas e havia, aparentemente, sido morto quando Vic tentou salvá-lo. Ele é o primeiro homem que Orr garantiu as partes cibernéticas, o que levou a resultados desastrosos.
Isso torna as coisas muito difíceis para o Vic, pois ele tem que tomar as partes cibernéticas de alguém muito próximo a ele.
Se eu fiz um bom trabalho, acho que você não precisa ler nenhuma estória prévia do Cyborg para entender o que vai rolar na minissérie. Mas se sentir necessidade, há muitos "Ovos de Páscoa" para fãs de longa data.

MDC: Victor costumava ter um grande elenco de apoio nos Titãs. Veremos alguns deles? Qual a importância do elenco de apoio nesta minissérie? Já vimos Sarah Charlles, Ron Evers, DeShaun, etc...
MS:
Bom, você já disse quase todos deles, então não sobraram muitos! Mas os pai de Vic apareceu em "flashback", e uma decisão que ele tomou causou grandes ramificações na estória, principalmente na última edição. E ainda há outra Sarah que irá aparecer.

MDC: Falando no Ron, foi uma grande idéia trazê-lo de volta à história do Vic. Esta foi sua idéia inicial?
MS:
A estória não começou com Ron, mas quando eu reli a origem, a primeira coisa que me ocorreu foi que Ron era um grande personagem para morrer. Como ninguém havia encontrado seu corpo, me pareceu uma ótima idéia. Eu acho que Marv e George fizeram isso de propósito, caso eles tivessem a idéia de trazê-lo de volta. Isso coube muito bem em minha idéia e fiquei feliz da vida quando a DC me permitiu a usá-lo.

MDC: Voltando um pouco ao passado, Louise Simonson (The New Titans #96 - 1993) criou os Meta Men. Por que você decidiu não usá-los na estória? Estrela Vermelha é um grande personagem e amigo do Vic. Por que não usá-lo também?
MS: Sendo sincero, embora eu seja um grande fã de Simonson como escritora (principalmente seu trabalho na Marvel, com o qual cresci), nunca li a edição com os Meta Men.
Estrela Vermelha, por sua vez, é um personagem que muitos fãs pediram, e eu adoraria tê-lo usado, mas ele estava sendo usado por Geoff quando eu comecei a escrever a mini, e eu já estava usando mais ou menos sete Titãs na série. Foi muito difícil colocá-los todos juntos na edição sem tirar o foco em Vic.

MDC: Phil Jimenez criou a Cyborgirl (sobrinha de Sarah Charles). A vimos na capa da edição 6. Acho que ela é parte do Projeto M, certo?
MS:
Sim, você acertou! Phil a criou e foi muito generoso ao me deixar usá-la. Ela não tem uma história concreta, por isso nunca foi dito que ela fez ou faz parte do Projeto M, mas não é uma má dedução.

MDC: E quanto aos novos vilões? Poderia nos dar alguma pista de quem são os caras que aparecem na capa da última edição? Magenta é parte deles, não é?! Um novo Chip?
MS:
Bom, há dois grupos de vilões. Um grupo foi introduzido na edição 5 - os Phantom Limbs, soldados feridos que Orr transformou em máquinas assassinas usando a tecnologia do Cyborg. Eu os vejo mais como vítimas do que vilões. Estou muito orgulhoso deles, pois eu os criei e mesmo que eu não tenha a chance de contar outra estória com eles, outros terão.
Outro grupo é o Cyborg Revenge Squad, revelado na última página da quinta edição (então, cuidado com os spoilers). Os membros são: Cyborgirl, Girder, Magenta e o Pensador (Vilões do Flash, uma vez que compartilham da mesma conexão que Vic tem com Wally West), Shrapnel (Estilhaço), o novo Chip e Cyborg 2.0 - o mesmo Cyborg do futuro sombrio que vimos há algum tempo em Titans Tomorrow. A idéia é que eles são um grupo especializado para dominar Cyborg (pessoas com poderes magnéticos, um computador vivo, etc).
O novo Chip foi idéia de Eddie Berganza. Ele disse só disse que poderia ser filho do Chip, e eu aceitei. Os fãs da série animada dos Titãs irão gostar de sua origem, eu acho.

MDC: E quanto à série dos Duas-Caras? Como é trabalhar em dois títulos tão diferentes?
MS:
Cada título tem seu desafio e tons diferentes. Cyborg é um estória de super-heróis sci-fi com muita ação. Duas-Caras: Ano Um, por sua vez, é uma estória sobre crime. Foi difícil trabalhar em títulos distintos, mas eu estava trabalahndo em mais outros, na verdade, com outros dois criadores para edições da Image - FEARLESS and HAZED - ao mesmo tempo.
Eu acredito que Duas-Caras foi uma edição melhor, pois naquele momento eu já havia quase terminado Cyborg e acho que a experiência me fez um escritor melhor.

MDC: Poderia nos dizer se há algum projeto vindouro para a DC?
MS:
Nada oficial, mas estou esperançoso, particularmente com o escritório do Morcego, onde trabalhei em Duas-Caras.

MDC: Se você pudesse escolher um título da DC para trabalhar, qual seria e por quê?
MS:
Uma pergunta difícil, principalmente porque não quero comprometer um trabalho que alguém já esteja fazendo. Mas eu adoraria trabalhar com super-heróis mais realísticos, como Batman ou Arqueiro Verde, onde eu poderia contar muitas estórias. Ao mesmo tempo, adoro estórias juvenis, então algo relacionado aos Titãs seria fantástico. Após escrever a mini do Vic por quase um ano, eu agarraria a chance de escrever qualquer título onde ele estivesse. Eu acho que ele é um dos personagens da DC que mais se tem estórias para contar.

2 comentários:

Sandro Victoria disse...

Que entrevista maravilhosa. Sable demonstra que entende dos titans,usando vários elementos(mais do lado do cyborg,é claro),mas fiquei surpreso. Ele misturou vários elementos na mini.
Parabéns,Tarcísio,por mais esta entrevista.

Tarcísio Aquino disse...

Sim. Sable foi capaz de condensar os fatos mais importantes na vida do Vic nessa série... Parabéns mesmo a ele!

Obrigado, Sandro!