18 de out de 2008

SPOILER - DC Special: Cyborg #05 - Review

Rage Against the Machine - Parte 5

Roteiro: Mark Sable
Arte: Carlos Magno
Capa: Mike McKone, Marld Alquiza, JD Smith
Arte Final: Marld Alquiza, Rebecca Buchman
Cores: Tom Chu

Sinopse:

Entra em cena Ciborgue 2.0, uma versão futura de Victor Stone, vinda de 10 anos no futuro (sua primeira aparição foi em Teen Titans, durante o arco "Titãs do Amanhã" e seu design foi ligeiramente inspirado no Ciborgue mostrado no desenho animado Jovens Titãs). Através de métodos não explicados, Orr conseguiu mantê-lo no presente após os eventos vistos em Teen Titans #52 à #54 (quando ele veio aos tempos atuais acompanhado de malignas versões futuras dos Titãs, lideradas por Lex Luthor).

Ciborgue 2.0 revela que no futuro há um exército de soldados-ciborgues criados por Orr. Orr lhe diz que esse foi o motivo de tê-lo trazido de volta ao presente: garantir que aquele futuro aconteça, impedindo que o Vic dos tempos atuais exponha o Projeto M à imprensa. Para isso, Ciborgue 2.0 deverá eliminar todas as evidências, assassinando os soldados que receberam as próteses cibernéticas e apagando as informações pertinentes que estão nos bancos de dados do Ciborgue atual. Quando Ciborgue 2.0 lhe pergunta porque concordaria com esse plano, Orr lhe responde que a única coisa boa que Vic fará em qualquer momento será permitir que sua tecnologia ajude outras pessoas. Cabisbaixo, Ciborgue 2.0 parece concordar com essa linha de pensamento e aceita.

Transportado por Ravena, Vic chega ao Oriente Médio, onde se surpreende com a devastação e morte provocada pela guerra.

Enquanto isso, nas ruínas do Laboratório S.T.A.R. os Titãs conseguiram por abaixo Equus e o Gnu-Ciborgue. Entretanto, eles tem de lidar com uma leva de cópias mal-formadas das duas criaturas. Não ficou muito claro se estes seres estavam surgindo das câmaras de incubação ou como conseqüência da destruição do laboratório (que teria ocasionado a mistura de protoplasma de clonagem com a tecnologia cibernética). Após transportar Vic, Ravena retornou para se reunir ao restante dos Titãs.

Orr revela a Ciborgue 2.0 que as câmaras de incubação do laboratório também são transportadores. Segundo Orr, algumas vezes vilões se reuném com o objetivo de derrotar equipes de heróis, mas certos heróis são tão especiais que ganham uma equipe de vilões dedicados apenas a eles. Deste modo, assim como Lex Luthor criou o Esquadrão Vingador do Superman, Orr criou o Esquadrão Vingador do Ciborgue ("The Cyborg Revenge Squad"), composto por seis figuras misteriosas trazidas até o local por meio dos transportadores.

Esta comoção atrai a atenção de Asa Noturna e Robin, que destroem a câmara de incubação logo após Ciborgue 2.0 e o Esquadrão Vingador se teletransportarem para outro local por meio dela. Orr diz estar satisfeito com isso, pois eles não apenas destruiram uma evidência, como também perderam a única chance de alcançar o Vic do presente a tempo.

No Oriente Médio, Ciborgue consegue encontrar os Phantom Limbs (em português, "Membros Fantasmas"), um grupo de operações especiais composto por soldados mutilados que receberam próteses baseadas na mesma tecnologia cibernética de Vic, concedidas pelo Projeto M em troca deles continuarem servindo aos interesses dos militares (especialmente os de Orr), obedecendo quaisquer ordens, não importando quais. O nome "Membros Fantasmas" é um trocadilho, porque esse é um nome usado para descrever a sensação tida por algumas pessoas de que um membro amputado ainda está ali (experimentando inclusive dores e formigamentos nesses membros ausentes), mas também se refere a natureza secreta do grupo, que age não oficialmente.

Os integrantes da Phantom Limbs são:

DeMarcus Chapele (codinome: Mauler), nascido no leste de St. Louis, era um antigo membro de gangue que completou o supletivo de Ensino Secundário na cadeia e se uniu ao exército após quebrar o recorde juvenil de homicídios. Desde o alistamento foi considerado um soldado-modelo, tendo múltiplos elogios e sendo recomendado para Escola de Candidatura a Oficial logo após sua primeira excursão de dever, e se tornou piloto de tanques. Perdeu ambas as pernas por causa de uma bomba improvisada de beira de estrada, mas elas foram substituídas com próteses que lhe permitem se transformar em um tipo "tanque-humano" (a mais radical transformação entre todos os Phantom Limbs). Sua blindagem é pintada com pequenas caveiras vermelhas que representam assassinatos confirmados.

Mitchell Hale (codinome: Blindman), nascido e criado no lado noroeste de Manhattan, formou-se pela Ivy League. Fuzileiro Naval da Força de Reconhecimento, é o único Oficial Comissionado entre os Phantom Limbs. Perdeu a visão e sofreu trauma cerebral durante a invasão inicial, mas recebeu próteses oculares que lhe permitem controlar UAVs (Unmanned Aerial Vehicles, aviões sem pilotos, controlados a distância) de ataque. Através de câmeras instaladas nessas aeronaves, ele também consegue ter um panorama completo de todo o campo de batalha, assim como projetar mapas holográficos para que outros também tenham.

Dominic Arou (codinome: Deng) foi uma das dezenas de milhares de crianças que ficaram perdidas ou orfãs durante a Segunda Guerra Civil do Sudão (os assim chamados "Garotos Perdidos do Sudão"), tendo possivelmente servido como soldado do Exército Popular de Libertação do Sudão ainda durante a infância. A despeito da falta de cidadania americana, uniu-se a Marinha com o objetivo de terminar a escola e obter formação médica, tornando-se um Médico Naval de 2ª Classe. Ele sofreu lesões internas graves durante uma missão de paz na Bialya, posterior a III Guerra Mundial (evento mostrado numa mini-série homônima, derivada da série 52). Sem as próteses, precisaria de bolsa de colonostomia e também de díalise. Com elas, também se torna um Hospital Cirurgico Móvel do Exercito feito de uma pessoa só, capacitado a fazer de microcirurgias a transfusões de sangue.

Juben Martinez (codinome: Projectile), membro da infantaria do exército, perdeu ambos os braços se atracando com um homem-bomba suicida cuja carga não detonou completamente. Suas próteses transformam-se em lançadores de mísseis teleguiados posicionados sobre seus ombros.

Caleb Wilkerson (codinome: Blend) nasceu em Stone Mountain, Georgia, e era um Patruleiro do Exército que sofreu queimaduras de 3º Grau em 70% do corpo. Suas melhorias concedem camuflagem adaptativa, que lhe permitem se misturar ao ambiente. Também possui afiadíssimas lâminas retráteis em seus braços, destinadas a realização de degolamentos rápidos e fáceis (e extremamente sangrentos, causando em Blend repulsa e vômitos).

Augusto Gutierrez (codinome: Shriek) é um ex-oficial militar chileno, suspeito de envolvimento em "desaparecimentos" que ocorreram naquela nação, que tornou-se um mercenário a serviço do Projeto M. Perdeu um braço em um acidente de moto e o teve subtituído por uma prótese que contém um disruptor sônico quase idêntico ao de Ciborgue.

Pelo fato da tecnologia cibernética ter salvado suas vidas, inicialmente eles se mostram muito gratos com Vic, que assiste horrorizado eles utilizarem esses implementos contra um grupo de soldados inimigos.

Vic diz a eles que não era dessa forma que sua tecnologia deveria ser usada. Blindman contra-argumenta que guerras tem ocorrido a séculos e isso nunca irá mudar, mas uma coisa mudou para eles próprios: sem as próteses, eles seriam aleijados. Vic responde que o problema é que eles estão sendo chantageados e só poderão permanecer com as próteses caso concordem em continuar matando para o governo, mesmo depois de suas excursões de dever terem terminado. Blindman pergunta a Vic se ele tem alguma oferta melhor, mas este não sabe como responder. Em seguida, Blindman pergunta aos outros se eles preferem voltar a ser civis aleijados e que, caso a resposta seja sim, eles devem sentir-se livres para fazer o mesmo que ele fará. Então, ele arranca sua própria prótese ocular e a oferece a Vic, que fica sem ação diante do ocorrido.

Neste momento, Ciborgue é atacado por Blend, que se aproximou por trás e estava pronto para degolá-lo, dizendo que ele não deixaria aquilo acontecer. Ciborgue se desvencilha de Blend e o arremessa contra Mauler, mas é atacado pelos aviões de Blindman. Quando consegue destruí-los, é atingido e derrubado por um disparo de Mauler. Shriek estava pronto para atingir Ciborgue com seu disrruptor sônico, entretanto foi detido por uma rajada do disrruptor sônico de Ciborgue 2.0, que chegou ao local acompanhado pelo Esquadrão Vingador do Ciborgue, cujos membros são revelados como sendo: Cyborgirl (sobrinha de Sarah Charles e inimiga da Mulher-Maravilha), Viga, Magenta, Pensador, Estilhaço e o novo Chip (filho do Chip original e inspirado pela versão da série animada Jovens Titãs).

Opinião:

Como eu já havia mencionado nas resenhas anteriores, Sable fundamentou cada capítulo desta mini-série ao redor de um tema específico. Neste capítulo #5, o tema principal é a equipe Phantom Limbs (que divide o centro do palco parcialmente com Ciborgue 2.0). A narrativa foi bem equilibrada, com um foco que alternou satisfatóriamente entre ação e trama.

Quando eu vi Ciborgue 2.0 aparecer ao final da edição anterior, minha suspeita inicial foi de que o Victor Stone do futuro visto no arco Titãs do Amanhã se tratava, na verdade, de um clone criado por Orr (o que explicaria o "2.0" em seu nome). Descobrir que realmente se tratava do eu futuro do Ciborgue atual, que foi trazido até o presente por modos não explicados, gerou sentimentos divergentes em mim. Por um lado, a narrativa de Sable estava interessante o suficiente sem ter de envolver viagens no tempo e paradoxos de predestinação (especialmente numa história com bases tão realistas quanto as guerras no Oriente Médio e sujeiras governamentais). Por outro lado, esta é uma mini-série sobre Vic, então talvez uma melhor exploração daquela versão alternativa dele seja algo que valha a pena fazer.

Novamente, temos mais abordagens cinzentas e imparciais quanto aos personagens. Ciborgue 2.0, ao invés de ser descrito como simplesmente malígno, é retratado como uma pessoa amargurada, mas ainda assim com princípios e que não vê a si mesmo como um "vilão". Os Phantom Limbs também possuem argumentos perfeitamente plausíveis para aceitarem submeter-se às ordens de Orr. Por sinal, são razões tão plausíveis que deixam Vic (e provavelmente o leitor) sem ter o que responder.

Falando dos Phantom Limbs, Sable fez um trabalho muito bom nas escolhas de suas capacidades, fugindo da maioria dos clichês típicos a soldados-ciborgues (exceto talvez nos casos de Shriek e Projectile). Destaque para Blindman, que tem os poderes mais originais dentre todos. Os históricos destes personagens são curtos, porém detalhados e interessantes, fornecendo bases fundamentais que poderão facilmente ser expandidas no futuro. O fato de Projectile não ter listadas informações quanto a seus antecedentes (além de seus armamentos serem um baita clichê) me faz suspeitar de que ele morrerá no próximo capítulo, como aparentemente já aconteceu com Shriek (e talvez eles não sejam os únicos).

Como Sable explicou numa entrevista exclusiva ao site Multiverso DC (clique aqui para lê-la), o Esquadrão Vingador do Ciborgue é um grupo de vilões escolhidos a dedo por Orr, com as habilidades exatas para formar uma equipe especializada na destruição de ciborgues. Este é outro conceito bastante interessante, muito bem pensado da parte de Sable (e que eu estou ansioso pra ver em execução).

Porém, nessa edição também houveram vários pontos baixos. Na minha opinião, o maior deles foi, sem dúvida, a legião de Gnus-Ciborgues e de Equi (por sinal, esse é aquele plural para "Equus" que Estelar não conhecia) mal-formados que surgiram do nada. Não por pelo fato deles terem surgido do nada (coisas aparecendo do nada é um ponto baixo desta mini-série em geral, não só nesse capítulo), mas por dois outros motivos. Primeiro, porque foi algo totalmente aleatório, feito apenas para manter os Titãs ocupados durante o capítulo. Segundo, porque sua origem deles foi muito mal explicada e duvidosa (se eu fosse o autor, teria definido simplesmente que se tratavam de protótipos e/ou experimentos fracassados de tentativas de replicar as duas criaturas e que foi Orr quem os liberou contra os Titãs).

Outro problema que eu encontrei é que o foco desviou-se muito do que foi proposto no capítulo #4. Ron havia dito para Vic ir até o Oriente Médio e resgatar os Phantom Limbs, como parte de um plano maior para acabar com o Projeto M. Entretanto, isso não foi mencionado em nenhum momento do capítulo #5. Mais importante, Ravena retornou sozinha às ruínas do Laboratório S.T.A.R, deixado no ar a seguinte pergunta: COMO Vic pretendia retornar aos E.U.A., ainda mais levando seis pessoas consigo?

Falando de Ravena, Orr disse que os Titãs não alcançariam Vic a tempo porque eles destruiram os teletransportadores... Mas Vic não chegou ao Oriente Médio por meio desses aparelhos e sim com ajuda da empata. Sendo que ela já havia retornado, o que os impediria de fazer o mesmo?

No que diz respeito a arte, acho que houveram melhoras em relação ao último capítulo, tanto em termos de ilustrações quanto de cores. Porém as cenas continuam confusas, especialmente por causa de alguns "ângulos de câmera" meio estranhos e vertiginosos (onde o ambiente é visto de cima pra baixo ou de baixo pra cima, sempre em um ponto de vista meio inclinado).

Saldo Final: Pessoalmente, considero este foi o capítulo mais fraco da mini-série. Excetuando a apresentação dos Phantom Limbs, não há muito que se aproveite dessa edição em termos de história (mas em termos de ação, ela foi mais satisfatória). Espero que o próximo capítulo cumpra seu papel de forma mais coeerente e forneça um fechamento digno para essa trama que, até o momento, tem sido tão empolgante.



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