17 de abr de 2011

Questão de Opinião: Pais Titãs e seus filhos

Ou "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã"

Um artigo em co-autoria com Tarcísio Aquino

Há muito tempo, no começo dessa coluna, eu já dissertei sobre o que torna os Titãs uma família. Também já falei o que falta para os Novos Titãs serem esse tipo de família, algo que Krul tem sido destinado a fazer. Mas essa é a família afetiva dos personagens. Mesmo quando ocorrem desentendimentos, sempre há uma solução, uma reconciliação. Mas quando se trata de uma família onde os laços são sanguíneos, o buraco é mais embaixo. Na prática, bem mais em baixo, digamos, a sete palmos do chão.

Não consigo me lembrar agora, especificamente quem, mas sei que foi em Crise de Identidade, alguém (provavelmente Ralph Dibny) disse que quando alguém se torna um combatente do crime, ele pinta um alvo no peito de sua família. Faz sentido, e os Titãs sabem disso.

Na década de 80, os fãs puderam acompanhar o processo de amadurecimento e chegada à vida adulta dos expoentes clássicos dos Titãs. E nesse processo, culturalmente se instala a constituição da família. E já nos anos 80, Lian Harper nos foi apresentada. A primeira que nos foi mostrada como descendente dos Titãs.

Lian é filha do Titã Roy Harper, ex-Ricardito e ex-Arqueiro Vermelho, hoje Arsenal, com a, atualmente Titã Mercenária (assim como Roy), vilã Lince. E desde sempre, Lian esteve ligada aos Titãs. Lian passou a maior parte de sua vida nos quadrinhos como suporte de elenco para Roy. Ela tornava o pai um personagem muito mais interessante, pois além de pai solteiro, Roy ainda seguia uma carreira heróica. Com isso, Lian acompanhou seu pai com os Titãs, a distância com os Renegados, e até na Liga da Justiça. Sempre mostrava aquela carinha de criança doce, mesmo quando se tratava de sua mãe. Graças a esse seu ar angelical, tanto Donna como Kory, e até mesmo Kendra, a Moça Gavião, a amaram como uma filha. Mas nem sempre os quadrinhos são justos e bons. E Lian encontrou seu fim precocemente...

Em uma história que devastou o mundo de Roy Harper e de Oliver Queen, Lian morre em um ataque a Star City, implorando por ajuda. E assim perdemos uma criança que em muito contribuiu para que os Titãs tivessem essa cara de família que conhecemos.

Mas Lian não foi a primeira a ter seu fim ainda infante, já que o primeiro filho de Titãs a morrer foi Robert Long, filho de Donna e Terry. Destinado a ser um tirano do mal, a existência de Robert foi o motivo da vinda da Tropa Titã à nossa realidade, com a missão de impedir que a criança nascesse. Mas Robert nasceu, fez de Donna uma mãe, e ao lado de Terry e sua filha Jennifer, todos se tornaram uma família. O irônico foi que em meio a tudo isso, Robert, Terry e Jennifer perderam a vida em um acidente de carro. E Donna perdeu, de uma só vez, toda a sua família...

Da mesma forma, Estrela Vermelha perdeu sua família de uma só vez: Pantha e Bebê Gnu. Bebê Gnu adotou Pantha como mãe, mesmo que a mesma não se sentisse assim durante muito tempo. Após certo tempo, os dois se juntaram a Estrela Vermelha e os três viveram como uma família. Mas houve uma Crise. Bebê Gnu morreu pelas mãos do Superboy Primordial após sua mãe adotiva ter sido decapitada pelo mesmo. Duas vidas, em uma mesma batalha, foram ceifadas. E mais uma criança Titã nos deixa...

Garth, o herói que já conhecemos como Aqualad e após como Tempest, também constituiu família. Unindo-se a Delfim, nasceu o pequeno Cerdian. Tanto o jovem atlante, quanto sua mãe, perderam suas vidas durante o evento Crise Infinita, algo que só ficamos sabendo após o sumiço de três anos de Garth e sua família, e um pouco antes de Garth também nos deixar.


A DC não tem sido boazinha com suas crianças. Mesmo os Titãs que hoje tem seus filhos ao seu lado, já passaram por maus bocados. Caso de Wally West, um Flash, que perdeu seus filhos gêmeos, Jai e Iris, e hoje os tem ressurretos (inclusive, atualmente Iris é a mais nova Impulso, alcunha antes ostentada por Bart Allen, hoje Kid Flash). Ou mesmo caso de Miriam Delgado, a Titã chamada Miragem, que tem ao seu lado sua pequena Julienne, fruto do estupro que sofreu de Asa Mortal, e que por enquanto está a salvo no Brasil.

Mesmo com todas as desgraças que ocorreram nas vidas dos Titãs e seus pobres filhos, suas mortes foram quase sempre, ao que se sabe, consequência de algo maior, ou mesmo de uma simples fatalidade.

Será que foi mesmo um alvo pintado em seus peitos que os mataram? Ou esses pequenos seres caíram em mãos que não sabiam usá-los? Ou ainda, como nos seriados, quando um ator ou personagem não pode ou não quer continuar, ele vai viajar ou morre, pois não há mais espaço para ele e, por tanto, ele vira um estorvo? Não seria melhor e menos doloroso, manda-los para longe, para o Limbo dos Quadrinhos? Não sabemos.

O que sabemos é que não é fácil ser filho de um Novo Titã. E que sempre sentiremos saudades dessas pequenas e doces criaturas que fazem dos Titãs seres humanos, dentro e fora da equipe.

3 comentários:

Clark Vanzeler disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Clark Vanzeler disse...

Apoiado, muitas das crianças Titãs tiveram um enorme lugar cativo entre nós... lamentei muito qnd vi a Lian nos braços do Ollie, ela era a filha titã q eu mais amava.

E quem disse a frase do alvo pintado em suas famílias foi o Clark Kent, nosso amado Superman!

Rodrigo Broilo disse...

Valeu pelo comentário e pela correção Clark.