6 de jul de 2008

Especial - DC Special: Raven

Por Ed Ferreira


Argumento:
Marv Wolfman
Desenhos: Damion Scott
Arte-final: Robert Campanella

Polêmica

Anunciada pela primeira vez em 2006 e tendo sua publicação adiada por diversas vezes, para chegar às bancas americanas apenas em Março de 2008, a mini-série protagonizada por Ravena esteve envolta em polêmicas desde o início.

A posposta básica do título seria mostrar como Ravena se ajustou a sua nova vida em seu novo corpo, estabelecendo novos parâmetros e um novo Statu quo para a personagem. Sendo escrita por Marv Wolfman, criador da personagem (e que sempre afirmou que ela era a sua criação favorita), o anúncio original gerou boas espectativas por parte dos fãs. Espectativas que mais tarde seriam abaladas pelo anúncio de que o artista do título seria Damion Scott, usando um estilo que foi descrito pelo próprio Wolfman como "inspirado em mangá" (algo que gerou uma certa comoção entre os fãs, receosos de que a personagem estivesse a ponto de se transformar na sua contraparte dos desenhos animados).

A princípio, os eventos ocorridos em DC Special: Raven situariam-se cronologicamente durante o "Ano Perdido" da DC (após Crise Infinita, antes de Um Ano Depois, durante 52). Mas após múltiplos atrasos na publicação (atribuídos a Damion Scott, que não teria cumprido os prazos), a mini-série foi reajustada para situar-se pouco antes da primeira edição da série mensal Titans (após Teen Titans #50, antes de Titans East Special #1, não claramente estabelecido se antes ou depois de DC Special: Cyborg).

Após diversas entrevistas de Wolfman em sites especializados e múltiplas especulações dos leitores em fóruns estrangeiros, DC Special: Raven #1 finalmente foi lançada em 5 de Março de 2008, trazendo aquele que é, sem sobra de dúvida, um dos mais polêmicos e infames disclamers já vistos na capa de uma HQ de Super-heróis: "Finally in her own EMO series!" (ou traduzindo, "Finalmente na sua própria série EMO!").

Após a publicação deste primeiro capítulo, as discussões e especulações em fóruns gringos praticamente terminaram, fazendo com que o título passasse rapidamente de polêmico a semi-esquecido. Além disso, se antes esta mini-série seria lançada após um mega-evento (Crise Infinita), agora está sendo lançada durante um (Crise Final), algo que sem dúvida afetará as vendas.

Sinopse

DC Special: Raven é uma mini-série em cinco capítulos, sendo cada capítulo correspondente a um dos dias de uma mesma semana, indo de segunda a sexta.

Capítulo 1 - Inside Out (Segunda-Feira)

Ravena acorda de um pesadelo, onde um franco-atirador oculto na torre de sua escola assassina um dos estudantes. Ela vem tendo pesadelos desde Crise Infinita, mas este foi mais real e próximo. A partir desse sonho, ela pressente que o assassinato irá realmente ocorrer, na próxima Sexta-Feira, caso ela não o impessa. Nesse meio tempo, ela deve prosseguir sua rotina normal como a estudante Rachel Roth, onde ela sente-se deslocada em meio aos colegas adolescentes, uma vez que ela não assiste TV ou filmes, não joga videogames e etc.

Além disso, Ravena vem sendo bombardeada por emoções desde os eventos vistos em Teen Titans Annual #1 (publicada no Brasil pela Panini em Novos Titãs #34). Estas emoções estão sobrecarregando-na, de forma que ela não pode pará-las, controlá-las ou absorvê-las. Além de provocar dor nela própria, Ravena acredita que elas estão afetando seus poderes e fazendo com que ela provoque mal estar e alterações comportamentais em seus colegas de escola. Em busca de paz, ela vai para Azarath (talvez a Nova Azarath, mencionada superficialmente em 52), onde teoriza que o corpo jovem no qual reencarnou talvez não seja capaz de conter seus poderes e que talvez ela tenha de abrir mão da chance de uma vida normal convivendo com outras pessoas, para não feri-las.

Enquanto isso, um comboio militar dirige-se do Forte Baxter, no Colorado, até Sausalito, Califórnia, transportado algo que foi encontrado pelo governo durante a Crise. Os soldados do comboio utilizavam capacetes especiais para proteção individual, mas quando um deles tira o capacete, enlouquece com variações emocionais e assassina um colega. O destino final do comboio é a instalação nº3 da Praxis R+D Pesquisa Médica, onde experimentos de manipulação emocional com fins terapêuticos, via substâncias químicas e infra-som com efeito subliminar, são conduzidos. O chefe das pesquisas é o Dr. James Davis, que está tentando curar sua filha Laura e despertá-la de um estado de coma. Durante um dos experimentos, ele interfere e sofre interferência com os poderes de Ravena, sem que nenhuma das duas partes entenda a causa do ocorrido.

No fim do capítulo, é revelado que o que o comboio transportava era a Máscara Medusa que pertencia a Roger Rayden (o Pirata Psíquico) antes dele ser assassinado por Adão Negro durante Crise Infinita.

Capítulo 2 - Shadows (Terça-Feira)

Ravena tem um novo pesadelo, onde ela personifica aquele que cometerá o assassinato sexta-feira. Na escola, ela tenta se sociabilizar com outras alunas e se surpreende ao participar de uma conversa que não envolve táticas de combate contra super-vilões. Subitamente, ela tem uma nova visão do futuro assassinato.

Na Praxis R+D, a Máscara Medusa é combinada com a tecnologia de infra-som com o objetivo de obter um melhor direcionamento da manipulação emocional. Quando uma experiência envolvendo manipulação de Felicidade é iniciada, interfere com os poderes de Ravena e todos aqueles que estão ao redor dela começam a rir descontroladamente. Sem saber sobre o experimento, ela culpa a si mesma pelo ocorrido.

Tentando descobrir as causas do tumulto sem provocar alarme por parte dos pais dos estudantes, o reitor do colégio chama o Dr. Davis, que é seu amigo pessoal, para examinar os estudantes. Davis percebe que o ocorrido foi uma conseqüência dos experimentos com a Máscara. Ravena o vê e se recorda de ter visto sua face em um dos pesadelos.

Ravena é levada por suas novas amigas para jogar boliche, mas devido a um novo experimento na Praxis, os seus poderes novamente saem do controle, provocando um tumulto emocional em todos ao seu redor. Como conseqüência disso, uma de suas amigas morre pisoteada pela multidão. Culpando a si mesma, Ravena foge do local.

Capítulo 3 - Requiem (Quarta-Feira)

Enquanto ela e os outros estudantes lamentam a morte da colega Shay, Ravena confronta a si mesma se deve ou não usar seus poderes para aliviar o sofrimento de perda em todos. Em conseqüência do ocorrido, as aulas na Academia Strages são suspensas e os alunos proibidos de deixar o Campus. Na Praxis R+D, a Máscara Medusa foge ao controle, provocando um caos emocional entre os cientistas.

Ravena tem um pesadelo que lhe mostra uma festa escolar ocorrida no passado, onde ela testemunha Laura se envolvendo com drogas. Ela também vê um vulto semelhante ao Dr. Davis, que afirma estar matando os alunos e, em seguida, se transforma na estudante Angelina e revela saber que Rachel e Ravena são a mesma pessoa.

Ravena acorda com suas amigas batendo na porta de seu quarto. Elas convidam-na para conversar sobre os últimos acontecimentos. Antes de se unir ao grupo Ravena decide ir secretamente até a instalação da Praxis e investigar a ligação de Davis com os turbilhões emocionais. Ela encontra Laura em coma e descobre que a garota é filha de Davis. Quando está prestes a usar seus poderes em Laura visando descobrir a razão de tudo, ela simplesmente desiste e decide se reunir a suas amigas. Aparentemente, ela foi induzida a isso por Dr. Davis, que colocou a Máscara Medusa em seu próprio rosto.

Reunindo-se com suas amigas Ravena aprende que as pessoas podem lidar com a dor da perda de seu próprio modo, sem que ela tenha de usar seus poderes empáticos para facilitar tudo.

Capítulo 4 - Pieces of the Puzzle (Quinta-Feira)

Por causa dos incidentes, cerca de um terço dos alunos da Academia Strages foram enviados de volta para suas casas. As visões e pressentimentos de Ravena continuam, mesmo enquanto ela está acordada. Conversando com suas amigas, ela descobre que Laura usava drogas, tanto compradas com uma traficante quanto roubadas do hospital de seu pai. Também descobre que a garota sofreu um acidente por dirigir alcoolizada e ficou em coma. Desde então, Dr. Davis está obcecado em obter uma cura para o estado de sua filha.

Subitamente, Ravena recebe uma nova onda de emoções, retirando-se para Azarath para meditar e tentar recuperar o auto-controle. Na Praxis, Davis usa a Máscara Medusa para tentar acordar sua filha do coma, provocando um novo tumulto emocional entre os alunos da escola. Ravena percebe de onde essas emoções se originam e dirige-se para lá.

Quando Ravena chega na Praxis, Dr. Davis anuncia que ela estava impedindo que a cura fosse realizada e a ataca com o poder da Máscara, sobrecarregando-a com diversas emoções. Quando Ravena vai ao chão, Davis morre e a Máscara Medusa desprende-se de seu rosto para flutuar até o rosto de Laura, que desperta. Então Ravena entende que era Laura quem estava por trás de tudo desde o começo.


Capítulo 5 - Guilt (Sexta-Feira)

Através de uma transmissão empática, Ravena descobre que Laura era espancada pelo pai e que esse foi o motivo pelo qual ela se envolveu com drogas. Após fugir de casa num carro, ela foi perseguida por Davis, cujo carro acidentalmente jogou o dela para fora da estrada, provocando o acidente que a deixou em coma.

Os tratamentos com infra-som que Dr. Davis administrou em Laura despertaram a mente dela, mas o corpo permaneceu incapaz de se mover. Além disso, a garota adquiriu poderes especiais, como a capacidade de mover sua mente para fora do corpo. Foi desta forma que ela encontrou Ravena, que estava ajudando na evacuação Blüdhaven (em Teen Titans Annual #1), e aprendeu sobre a Máscara Medusa, que poderia tirá-la do coma. Como Ravena resistiu aos ataques emocionais, Laura manipulou Davis, fazendo com que ele encontrasse e trouxesse a Máscara e mantesse Ravena afastada até que os preparativos estivessem prontos.

Usando o poder da Máscara Medusa, Laura planejava se vingar de suas antigas amigas, dominando-as mentalmente e obrigando-as a cometer assassinatos na escola. Em seguida, ela planejava espalhar uma onda de terror através do mundo.

Enquanto seu corpo é atacado por Laura, Ravena envia seu Ego Espiritual para tentar impedir as mortes. O Ego Espiritual destrói as armas antes que os assassinatos sejam cometidos e consegue retornar ao corpo de Ravena antes que ela morra.

Sabendo que sozinha não é páreo para o poder de Laura, Ravena a leva para Azarath, aonde os monges aprisionam-na num tipo de transe. Ravena sente-se culpada pelos males que causou enquanto estava sendo influenciada por Laura e decide que deve compartilhar do mesmo destino. Entretanto, os monges explicam que Ravena não é culpada e que, na verdade, ela foi a razão do plano de Laura ter falhado, pois Ego Espiritual absorvia instintivamente os ataques emocionais dirigidos a outras pessoas, sendo essa causa do tormento que Ravena vinha sentindo desde a Crise.

De volta a instalação da Praxis, Ravena coloca a Máscara Medusa no próprio rosto e a utiliza para apagar a memória de seus colegas, fazendo-os esquecer dos eventos recentes. Em seguida ela destrói o artefato para que ele nunca mais atormente a humanidade. Com a situação resolvida e tudo de volta ao normal, Ravena vai ao shopping com as amigas.

No prédio da Praxis, quando cientistas observam os dados obtidos a partir do escaneamento da Máscara Medusa eles são emocionalmente afetados, sugerindo um possível retorno do artefato.


Opinião

Uma coisa importante que deve ser compreendida sobre essa mini-série antes de julgá-la é que se trata de uma experiência editorial. Uma dentre tantas outras feitas durante a administração DiDio na DC. Abertamente direcionada ao público feminino, o objetivo desse título era atrair leitores de fora filão de super-heróis, deixando os fãs mais tradicionais da DC meio que de lado. Em alguns aspectos, esta série poderia ser comparada a SpiderMan Loves Mary Jane, da Marvel. Entretanto, compreender não implica necessariamente em gostar ou aceitar. E se a editora quis se arriscar lançando algo tão inusitado, deve estar preparada para receber uma resposta negativa por parte daqueles que estejam insatisfeitos.

A principal coisa que depõe contra a mini-série é sem sombra de dúvida a arte. Seguindo um estilo semelhante a grafitti (que alguns classificariam como "cartunesco" e outros como "mangá"), é bem diferente do que estamos acostumados a ver em revistas em quadrinhos sobre super-heróis. Muitos podem discordar de mim, mas não considero esse estilo como um defeito. De fato, eu até consigo entender porque Marv Wolfman acha que essa arte cartunesca/psicodélica combina com o clima da história (até porque não se trata de uma trama de ação e aventura inefreada, como ocorre com outros heróis). O verdadeiro problema é que várias das ilustrações são confusas. Fica difícil entender o que de fato está acontecendo em certas cenas. Adicionalmente, esse estilo excessivamente colorido meio que foge do que os fãs tradicionais esperariam de uma personagem tida como sombria.

Sobre o plot-base da história, devo dizer que gostei. "Pesquisas médicas envolvendo manipulação de emoções através de infra-som usado em nível subliminar" é o tipo de invencionice de ficção científica que sempre me atrai. Além disso, quando li Crise nas Infinitas Terras pela primeira vez há uns 13 anos atrás, o Pirata Psíquico foi de longe o personagem que mais me chamou a atenção. Sério, gostei do estilo dele desde o começo. E sendo Ravena uma empata, a Máscara Medusa se torna um desafio ideal para ela. Entretanto, se eu adorei o Plot, não fiquei lá muito satisfeito com o desenvolvimento dele na história, que me pareceu meio enrolada e lenta (e essa sensação que foi aumentada ainda mais pela arte).

Quanto ao valor da mini-série enquanto traçador de novos parâmetros para a personagem, ele é bastante questionável. Embora Wolfman tenha criado todo um detalhado pano de fundo tendo a Academia Strages como base, incluindo desde o comportamento de "Rachel Roth" até funcionários e estudantes que poderiam facilmente servir como elenco de apoio em séries nas quais ela participasse, na série Titans, de Judd Winnick, já foi visto que Ravena atualmente está em outra escola e seguindo um arquétipo totalmente diferente de comportamento, seja na escola, seja como heroína.

Aqueles que pensavam que nesta mini-série Ravena se tornaria semelhante a versão Cartoon Network, estavam errados (por sinal foi na série mensal Titans que isso meio que aconteceu). A caracterização segue o padrão que Wolfman sempre empregou na personagem: tímida, deslocada, insegura, autruísta e sempre se culpando por tudo de mal que ocorre ao seu redor. A única coisa que eu achei meio duvidosa foi o fato dela se surpreender por falar de um assunto que não fosse "papo de super-herói". Se a super-equipe da qual ela fizesse parte fosse a Liga da Justiça, eu até entenderia. Mas os Titãs?

A mini-série possui algumas pequenas contradições com outras revistas, como o fato de que Ravena já havia aprendido a jogar boliche (fato visto em Teen Titans #27) e a existência de um novo Pirata Psíquico, que atuaria como um traficante de estados emocionais (
Justice League of America #1), mas nada realmente relevante ou que atrapalhe a leitura.

Saldo Final: muitos poderiam dizer simplesmente que DC Special: Raven é uma mini-série ruim, mas na minha opinião ela é difícil de classificar. Eu chamaria de "diferente", para dizer o mínimo. O roteiro e trama não são ruins. O estilo das ilustrações não seria tão ruim se elas não fossem tão confusas. Mas o fato é que essa série simplesmente foi feita para um perfil específico de leitor. E se você não se encaixa nesse perfil, dificilmente vai gostar.

3 comentários:

Tarcísio Aquino disse...

Muito bom o artigo, Ed.
Parabéns.

A arte é horrível, mas o roteiro até que foi legal.

Kildare disse...

É a arte que me preocupa. Como sempre digo, compro hqs principalmente pela arte, pois se só a história importasse, leria um bom livro. Seria TUDO DE BOM se fosse uma mini feita por Wolfman e Pérez... Como sou sonhador...

Rodrigo B disse...

pelo pouco que vi a arte realmente ficou bem fora... é muita cor... e as coisas se misturavam... tu não sabia as vezes oq era primeiro plano e o q era plano de fundo...