17 de out de 2008

SPOILERS - Titans #6 - Review

Together, Together Forever

Argumento: Judd Winick
Desenhos: Julian Lopez
Arte Final: Prentis Rollins e Bit
Capa: Joe Benitez e Victor Llamas

Sinopse:

O capítulo abre com Ravena Negra (a versão malígna de Ravena, com pele avermelhada e dois pares de olhos, que ressurgiu devido aos eventos vistos no último capítulo) discursando aos Titãs, que no momento se encontram paralisados e flutuando diante dela, sobre como bem e mal são coisas relativas.

Então descobrimos que esta cena se passa sete horas no futuro.

No presente, Mutano (ainda ferido após a surra que levou de Jared na edição anterior) conta aos outros Titãs que os filhos de Trigon pegaram Ravena e que ela deve ser encontrada antes eles a façam ainda pior.

Donna revela que Ravena se precaveu para o caso de perder o controle sobre si mesma novamente, lhe entregando uma "Pedra de Ramat" (um ítem capaz de localizar seres imbuídos com feitiçaria) conectada a ela própria. Unindo suas mãos, os Titãs ativam o objeto.

Em um local ermo (que assemelha-se ao reino de Trigon mostrado em Titans #2), Ravena está com seus meio-irmãos Jared, Jacob e Jesse (respectivamente, as encarnações dos Pecados da Ira, da Luxúria e da Inveja). Junto com eles, são mostrados pela primeira vez três outros filhos de Trigon, as incorporações da Cobiça (James), da Preguiça (Jack) e da Gula (cujo nome não foi revelado).

Os Titãs entram em cena, atacando os filhos de Trigon. Flash derruba Jesse e Ciborgue abate Jared com seu disruptor sônico. Jack usa seus poderes para, aparentemente, envelhecer e enfaquecer Arqueiro Vermelho e Asa Noturna. A encarnação da Gula demonstra a aparente capacidade de drenar a gordura de seus inimigos, enfraquecendo e (emagrecendo) Donna e Estelar. James se aproxima das duas, pronto pra usar seu poder sobre a Cobiça, mas é derrubado por Ravena, que diz ter planos diferentes.

Ravena revela ser a encarnação do Orgulho, o pecado original do qual todos os outros se derivam, então ataca seus meio irmãos, abatendo-os. Por um breve momento os Titãs acreditam que ela recuperou o controle, mas então ela também os ataca.

Chegamos a cena que abriu o capítulo, aonde os Titãs flutuam imobilizados diante de Ravena Negra. Mutano pergunta a Ravena Negra o que ela está fazendo, que responde dizendo que o reino da Terra por direito deveria ser dela, já que ela possui o poder para governá-lo. Porém, ela não pretende governá-lo sozinho, mas sim ao lado das únicas pessoas em quem ela confiou e amou. Então ela pretende infundir os Titãs com o poder dos Sete Pecados para que eles possam governar ao lado dela. Para isso, Ravena Negra utilizará as habilidades especiais de Mutano como um meio para transformar aos outros, mas sacrificando-o ao longo do processo.

Ravena Negra inicia as transformações, implantando Íra em Vic, Luxúria em Donna e Gula em Roy. Neste momento, uma voz começa a vir da Pedra de Ramat, da qual sai um vulto com a imagem translúcida de Ravena em sua aparência normal. Esse vulto começa a lutar com Ravena Negra, que diz que não será derrotada. Mas o vulto responde que não se trata de uma batalha entre as duas, mas apenas dela mesma encarando o medo de tornar-se maligna. Então o vulto se funde a Ravena Negra, que reassume a sua aparência e comportamento normal e transporta os Titãs de volta para seu lar.

Ravena revela que na Pedra de Ramat ela também havia inserido uma lasca de sua essência pura, então apagou as suas próprias memórias sobre ter feito isso. O plano era que, caso ela ficasse novamente possuída pelo mal, aquela essência poderia tornar-se senciente e enfrentá-la.

Ravena também diz que é necessário encarar o fato de que ela não é digna de confiança, que ela perde o controle muito facilmente e que, da próxima vez que isso acontecer, a Pedra de Ramat não funcionará de novo. Então ela entrega aos Titãs vários implementos mágicos e talimãs que são formas certeiras de matá-la. Ela fez isso pois ela não quer abandonar os Titãs, mas só se sentirá bem estando junto a eles se tiver a certeza de que não irá machucá-los novamente.

Neste momento, o Alarme de Acesso soa, indicando que alguém entrou no prédio. Flash corre para verificar e é seguido pelos outros. Eles descobrem que o invasor é Páreo. Ou mais exatamente, Jericó, que afirma estar preso dentro do corpo de Páreo e não consegue sair.

Opinião:

Após ler esta edição, meu primeiro pensamento foi que quando Dan DiDio comparou essa nova série Titans ao seriado Friends, ele provavelmente estava se referindo a piadinhas como as vistas neste capítulo. Ao lê-las, quase pude ouvir aquele efeito sonoro de risos e aplausos comum das sitcoms estadosunidenses.

Em segundo lugar, tive a impressão de que essa edição sofreu menos intervenções editoriais do que a anterior. O clima e o ritmo da trama variaram muito durante o seu desenrolar, diferente da edição anterior, que estava mais coesa nesse aspecto. Excetuando a cena inicial aonde Mutano conta aos Titãs sobre o ocorrido e a cena próxima ao final aonde Ravena explica como derrotou seu eu malígno (ambas parecem continuações diretas de Titans #5), a narrativa se aproxima mais da vista em Titans #2, #3 e #4. Além disso, as referências, que foram tão abundantes no último capítulo, estiveram ausentes dessa vez.

Aqui também encontramos três novos filhos de Trigon, com poderes tão esdrúxulos quanto os dos mostrados anteriormente. Mas, felizmente, nenhum tão ridículo quanto o da Inveja. Falando desse, fico feliz que o Flash tenha tirado Jesse de combate logo no começo, evitando que ele nos presenteasse com outra pérola (provavelmente, se transformando em Batman após tocar em Asa Noturna). Espero que Ravena Negra tenha realmente assassinado seus meio-irmãos ou, no mínimo, removido os poderes deles. O fato de seus corpos estarem inteiros abre caminho para que eles retornem futuramente. Se isso ocorrer mesmo, espero que seja pelas mãos de um escritor que saiba extrair algo de útil deles (ou que os mate como buchas-de-canhão para algum mecanismo de plot).

Uma coisa que havia me desagradado no último capítulo foi o fato de Ravena simplesmente abandonar os Titãs para se unir a sua "nova família". Mas nessa edição vemos que o verdadeiro objetivo de Ravena Negra era transferir o poder dos Pecados para os Titãs, que ela considera sua verdadeira família, fazendo-os semelhantes a ela. Eu realmente gostei desse conceito, dentre outras coisas, porque isso a aproxima mais de Trigon (que tinha como o maior objetivo possuir uma família para governar a seu lado). Claro que essa temática poderia ter sido melhor trabalhada, mas em essência eu gostei.

Talvez a resolução Deus Ex Machina, com a essência da verdadeira Ravena se mostrando no último instante para salvar o dia, desagrade alguns, mas só o fato de ninguém ter dito "Eu sei que você está aí dentro!" ou "Você precisa enfrentar isso!" já é um progresso (se bem que Donna disse "Lembre de quem você é!!!"). Porém eu gostei (embora não saiba exatamente o porque) de Ravena ter entregado aos Titãs armas capazes de assassiná-la, como uma medida preventiva para que ela possa estar perto deles sem que eles corram perigo.

Gar continua mostrando um progresso em relação as primeiras edições, demonstrando grande preocupação por Ravena e querendo ajudar a encontrá-la, sem se importar com seus próprios ferimentos. Houve aquela piadinha, "Há alguma coisa aqui que eu possa usar contra você se você só estiver sendo irritante? Eu quero dois desses". Inicialmente, isso não havia me agradado, mas após de pensar melhor, reconsiderei minha opinião por dois motivos:
1) Se ele tem que contar piadas desse tipo, que seja para aliviar a tensão quando não há nada realmente grave acontecendo. E que sejam bobagens leves como essa, ao invés daquelas inconveniências absurdas.
2) Ravena estava tão irritante nos primeiros capítulos que eu não culpo Gar por dizer aquilo. Aliás, acho que ele podia ter pedido três.

A última seqüência, quando Páreo invade o prédio, é meio enfadonha. Numa tentativa frustrada de gerar suspense, recebemos um diálogo quase tão redundante quanto o visto no início de Titans #4. Se o fato de Jericó se autodenominar "Joseph Slade" tem algum motivo ou foi apenas um erro de revisão, permanece pra ser visto.

As ilustrações de Julian Lopez mantém sua qualidade, mas considero que a edição anterior foi superior no quesito Arte (embora creia que o declínio se deveu principalmente ao colorista). Ainda não gosto de ver a retratação infantil/andrógina de Gar Logan, que me faz sentir falta da versão de Ian Churchil (onde ele possuia uma aparência semelhante a de seu "xará"). Nem vou comentar sobre o fato dele ter parado de usar calçados.

Saldo Final: Como eu havia mencionado antes, o clima e o ritmo da narrativa variaram muito ao longo da revista, formando uma mistura de trechos que desagradarão alguns e agradarão outros de forma variada. Mas a média geral é positiva, quando se tem por base os capítulos anteriores. Não chega a ser tão boa quanto Titans #5, mas supera os outros capítulos. Porém, o maior mérito de Titans #6 é, sem dúvida, encerrar de vez o infame primeiro arco do título, eliminando a ameaça pendente dos filhos de Trigon (de preferência, permamentemente) e abrindo caminho para histórias melhores.



6 comentários:

Tarcísio Aquino disse...

Ed, como sempre, um review bem detalhado e explicado. Gostei muito.

Em relação à revista, não tenho muito o que falar, porque concordo com você em todos os aspectos.

Na verdade, tirando os diálogos forçadíssimos do Winick, eu pude notar várias coisas que realmente procuro no título - A Amizade entre eles.

O lance dos outros filhos de Trigon... Nossa! Chega!!!! Não aguento mais isso... Um ano inteiro só pra ler isso...

Espero também que plots interessantes venham.
Decidi não ficar confabulando e criando teorias em relação ao "Joey Slade" ou ao arco vindouro propriamente dito.

A arte é excelente!

A caracterização do Gar melhorou mesmo e ele sempre será um piadista, não adianta! E gosto disso, mas DESCALÇO? AHHAHAHAHAAHAH

Sandro Victoria disse...

Pois é.Chega de filhos de trigon,por que ninguém merece. E tomara que o próximo arco as coisas melhorem um pouco mais.
E parabéns pelo review,Ed.

thiago disse...

Parabéns Ed, concordo com tudo que você falou e acrescento os diálogos forçados que o Tarcísio resaltou. Também trago a luz o fato de o Roy do Winick antes ser um pé no saco quando era Arsenal de tão mal encarado e chato, agora a chatisse dele foi revertida a piadinhas infames, parece que tá competindo com o Gar nesse quesito.

Concordo que as piadas tem que ser para aliviar a tensão, como foi na fase da liguinha giffen/maguire/dematteis e na fase meio satélite/meio liguinha (que até hoje não teve o respeito e admiração que merece) do Jurgens.

Vale resaltar que o traidor aparece pulando de galho em galho naquele absurdo que é Decisions e aqui aparece sem conseguir saltar de dentro do Páreo....eta viu! "Joey Slade" ???Grande Rao.....se o Exterminador ainda fosse o personagens antes de se tornar o mercenário aceita-qualquer-trocado desde o Arqueiro do Winick ele seria o primeiro a aparecer na torre e dar um chute na bunda do Joey (e em decisions também).

Como já comentei antes: Essas cores do Delgado são de ruim para podre, não é atoa que ele é o colorista do Humberto Ramos, não traz profundidade nenhuma, nem nada de inovador ou interessante para a arte, e, em alguns casos, os personagens ficam totalmente apáticos (só ver no caso do Vic que parece que está todo sujo de graffiti)

Realmente, espero que da próxima vez o Trigon aprende, de uma vez por todas, que fazer mais filhos não tá dando certo.

A arte legal, mas como o Lopez vai fazer a próxima é capaz que atrase algumas semanas, uma vez que ele tem que desenhar tão assim em cima da hora.

Sobre o Gar desclaço...eu acho é que: quando ele foi com a Ravena para o pier ele tirou as botas, aí apanhou e saiu correndo de volta para a torre e nem lembro de pegar as botas denovo heheheheh.

Tarcísio Aquino disse...

Nossa, Thiago. Que legal...
Finalmente concordamos 100% um com o outro ehhehehee...

Sim, o colorista é péssimo demais...

Ed Ferreira disse...

Opa, obrigado pelos elogios.

Eu também havia pensado que o Gar tinha esquecido as botas no pier, mas se ele trocou o uniforme rasgado por um novo, podia ter apanhado botas novas também.

Olhando novamente aquelas artes-finais do Lopez, tive a impressão de que lá o Gar não parecia tão jovem/afeminado. Talvez isso também se deva ao colorista.

Bebel disse...

A Donna et.Luxurious perto do Roy por si só dava uma história toda...

Mas... É... Não éééé mas é....