27 de abr de 2010

Questão de Opinião: o conceito de família nos Titãs

Dias atrás, resolvi reler o que considero um dos clássicos da DC (desde os tempos em que a leio), Crise de Identidade.

Uma série que mudou a vida de alguns personagens, inclusive um Titã. Mas durante a batalha de integrantes da Liga com o Exterminador, Oliver Queen, o Arqueiro Verde disse algo que realmente me chamou a atenção.

Exaltando os valores da Liga da Justiça para a construção de um herói (“Claro que te ensina a se proteger… mas, desde o começo… a Liga te ensina a lutar”) a compara às duas outras grandes equipes do UDC: a SJA e os Titãs, dizendo que a SJA pode te ensinar a ser um Herói e os Titãs te ensinam a ser uma FAMÍLIA. Não que isso fosse alguma novidade pra mim, mas me dei conta que dentro do próprio UDC é isso o que os Titãs representam: uma família. E perguntando-me “PQ?” resolvi (retornar a ativa e) escrever sobre isso.

Poderíamos começar revisitando os primórdios da linguagem humana e descobrir o que é afinal uma família e veríamos que o conceito vem da palavra latina “famulus”, que significa “escravo doméstico”. Não é muito inspirador certo? Mas é o termo usado na Roma Antiga para definir os novos clãs que iam se formando. Veríamos também que com o tempo as relações foram se baseando na descendência sanguínea e que o cristianismo foi de vital importância para o que conhecemos hoje sobre família. Mas tudo isso é desnecessário, creio eu.

Não importa de que forma ela esteja estruturada nas vidas dos queridos leitores que nos visitam, acredito que todos conheçam os vários tipos de família que hoje existem, tantos as de laço sanguíneo como as de laço afetivo.

E é baseado nesses dois tipos de família que acredito que esteja o ponto chave para entendermos (se é que é possível) como jovens heróis se unem para o bem recíproco e acabam atraindo a atenção de fãs que se apaixonam por esse conceito.

Os Titãs surgiram, como muitos já sabem, da união de jovens ajudantes de super-heróis, os chamados sidekicks. Todos eles possuíam certo nível de interação social, ou até de parentesco, com os seus heróis. Porém eles eram marcados pela falta de experiência e por estarem “à sombra” de seus heróis. A união que estabeleceram a partir da criação da primeira Turma Titã foi uma relação de ajuda mútua. Eles cresciam uns com os outros. Fortaleciam-se. Exatamente como uma família deve(ria) fazer.


Porém, ao analisarmos os maiores expoentes Titânicos das últimas quatro décadas, veremos que muitos deles não tinham como receber apoio de sua família de sangue (pai, mãe e irmãos), posto que muitos deles nem a tinham. Não é minha intenção rever a origem de todos os Titãs, mas basta lembrarmos-nos da história de vida de Dick, Donna, Roy, Victor, Kory, Raven, Gar, Wally, entre outros Titãs clássicos, ou mesmo dos novíssimos Titãs como Tim, Cassie, Kon, Bart, Megan, Mia, Eddie, por exemplo, para ver que uma família era necessária. E estabeleceu-se, então, o laço afetivo onde nem sempre o laço de sangue estava presente.

E talvez aí esteja o porquê de eles se apegaram à equipe. E talvez aí esteja o porquê de o grito de guerra da equipe ser “Titãs Unidos”. E talvez aí esteja o porquê de Slade ser o principal vilão dos Titãs, já que Rose e Joseph trocaram o laço de sangue com ele pelo laço afetivo dos Titãs. E talvez aí esteja o porquê de a equipe dos Titãs clássicos não ter funcionado mais, pois eles já eram uma família, a equipe era desnecessária. E talvez… e talvez… e talvez…


Cada um pode estabelecer suas conclusões com base no que eu levantei. E pode ser que eu esteja pirando, mais uma vez. Mas é exatamente isso que os Titãs, de qualquer fase me passam. Exatamente, uma família!

E é interessante perceber que muitos jovens leitores começam a ler quadrinhos de super-heróis pelos Titãs por serem jovens heróis. Mas depois acabam se apaixonando por outras equipes. Aqueles que permanecem fãs de Titãs, e acompanham com fervor suas histórias, e vibram com suas vitórias, e choram com seus problemas e tragédias, e compram as revistas mesmo sabendo que eles não estão recebendo o tratamento editorial que merecem, são, muito provavelmente, aqueles que foram amarrados pelo laço afetivo e se apegaram ao conceito dos Titãs.

Não que fãs de Titãs não tenham famílias ou que elas não estejam estruturadas. Longe disso! Mas o conceito familiar que os Titãs passam para muitos fãs é apaixonante. E aqueles que permanecem fãs, são, muito provavelmente, fãs desse conceito também, não só dos personagens ou das histórias. O porquê disso? Cada um é cada um! É regra? Não. Eu sei que comigo é assim.

Enfim, embora tudo isso seja só um pouco do pipocar de idéias que me surgiram sobre “porque os Titãs são uma família?” e esteja impregnada do meu olhar de fã apaixonado, acredito que além dos personagens fascinantes e histórias contagiantes, os Titãs estabelecem uma ligação afetiva também com os seus fãs.

E no fim das contas, todos acabam Unidos!

2 comentários:

Kildare disse...

Gostei do seu "pipocar de idéias". Também penso assim os Titãs como família. E digo mais, pode até mesmo ser verdade que a carência familiar que muitos de nós vivenciamos ou já vivemos faça com que nos apeguemos aos personagens... preenchendo o vazio que existe com suas aventuras e conflitos, tão humanos quanto os nossos!

Tarcísio Aquino disse...

Nossa, Broilo. Voltou com tudo, hein?
Cara, adorei todo o texto, como compôs as idéias e como as dissertou.

Parabéns! O texto realmente me prendeu e me fez entender a paixão que sinto por eles.

Fico feliz que tenha voltado com seus textos. Espero que recupere mais tempo para produzi-los.

Grande abraço!